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COLUNA DO PADRE NESTOR A. ECKERT |
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NATAL E PAZ RIMAM? Quando
tudo isso começou? Natal,
entendido como data do nascimento de Jesus, celebrada no dia 25 de
dezembro, começou a ser celebrada pela igreja ocidental desde o século
IV e desde o século V pela igreja oriental. Isto é, por alguns séculos
o mundo viveu sem festejar a data de nascimento atribuída a Jesus. O
mundo já viveu sem festejar Natal. De
outro lado, fomos ensinados, e estamos ensinando, que Natal é tempo de
paz. Apelamos para o texto do Novo Testamento, em que se lê que na
noite do nascimento de Jesus anunciou-se “Glória
a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens que ele ama.” (Lc 2,
14). Natal, celebração da paz. E o que é paz? Santo
Agostinho (354-430), em seu livro De
civitate dei (sobre a cidade de Deus), no livro XIX, capítulo 13,
diz que a verdadeira paz não é simplesmente a ausência de conflitos,
mas uma “tranqüilidade na ordem”. Nos
tempos de estudo, em Roma, tive um professor que defendia a tese de que
hoje não temos paz, mas temos um equilíbrio de terror. Um país não
quer provocar o outro ou tomar a iniciativa de atacá-lo porque não tem
certeza qual é o volume de força e potencial bélico que o outro tem.
Pode ser que ele seja mais forte e, neste caso, tomar qualquer
iniciativa pode significar suicídio. Por isso, o terror equilibrado faz
com que ambos continuem vivos. Mesmo que com medo.
Na
visão de Agostinho isso não é paz. Neste caso, paz e Natal não
rimam. Não combinam. Não existem. Neste
tempo Natal do novo milênio (contado a partir do dia do nascimento de
Jesus), parece que em nível mundial estamos vivendo dilemas
semelhantes. Da terra vizinha onde nasceu Jesus os pobres de hoje,
empobrecidos por muitos cristãos do mundo ocidental, ousaram levantar a
voz e o vôo de modo violento e, no dia 11 de setembro de 2001, começou,
de fato, de modo sangrento, o novo milênio. Que começo! Que aniversário! No
final de 2008, temos apenas uma certeza: 2009 e 2010 serão tempos de
grandes incertezas. Serão anos e tempos de crises profundas. Não temos
apenas uma época de crise, mas estamos vivendo uma crise de época! O
mundo nunca mais será como foi. Os 60 dias que revolucionaram o mundo
(setembro e outubro/2008) dificilmente terão uma explicação satisfatória.
Há muita gente querendo enganar muita gente! Neste
ano, para festejarmos mais dignamente o Natal de Jesus, deveremos fazer
com que a palavra Natal rime com justiça, com respeito à
diversidade cultural, com promoção de dignidade para todos, com menos
dinheiro e nenhuma arma, com coragem para denunciar as falsas pazes que,
ao que parece, devem novamente e necessariamente rimar com
norte-americano (a ponto de nos provocarem dizendo que “quem
não é a favor de nós é contra nós”).
Deveremos ser tão pobres a ponto de termos que ser todos
norte-americanos?
Promotores de paz com tanques e bombas e mortes? Paz que mata o
berço da própria paz? Dizer
“Feliz Natal” para alguém, neste ano, terá um peso muito grande.
Compromisso de vida. De vida comprometida. Compromisso de paz. Sem
tanques. Sem bombas. Sem morte. Sem bandeira com cores. Sem resquícios
de raivas político-partidárias! A cor branca é a ausência de todas
as cores. Que
este Natal seja o Natal da cor branca. Da bandeira branca. Da cor da
tranqüilidade na ordem. Como Jesus queria. Com vida e “vida
em plenitude”
para todos. Cristãos ou não. Somos todos pessoas. Filhos de
um mesmo Pai. Nestor
Adolfo Eckert – naeckert@terra.com.br
– (55) – 8133.5044 |
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